JOSETTE BARBAN

Costela de Adão, aparição súbita do adorno feminino. Parte do homem ou irrupção do nada à criação? Joia arte, inversão cambiante na contraposição de duas estéticas que figuram no corpo de frente e verso. Da distância aurática que ás separam, a primeira evidencia o insignificante, a outra deixa para trás o surpreendente. De frente é escasso, parco, inexpressivo, não reluzente. Por detrás,  o direito transvertido em avesso, fulgurância escamoteada quase oculta. Jogo de sedução? Brincadeira pagã? Porque esconder o que se quer mostrar?  Na face, não há indícios, apenas um desinteressante adereço. No dorso,  admirável epifania visual, êxtase do olhar captado por algo singular que se encontra onde não deveria estar. Costela de Adão, na contra mão do óbvio, reina soberana frente ao inesperado - gozo misterioso de um instante fecundo. Nas costas, o inusitado se afasta a cada passo; alvo em movimento para inquietar a visão. Quão belo será? Há uma profusão de pedras, elementos e símbolos que indagam o olhar, provocam e interrogam o objeto de desejo. Costela de Adão, aposta no avesso como versão polêmica e controversa do incomum para desvelar a parte dorsal excludente.

CATALOGO JOIAS LEILÃO